a couple looking at mobile phone while having an argument

Parceiro(a) Controlador: entendendo comportamentos controladres em um relacionamento

Parceiro controlador, conjuge controlador. Apesar de que em um relacionamento amoroso sempre há um certo sentido de pertencimento, alguns casais têm problemas por causa de comportamentos controladores de um dos dois, ou até mesmo dos dois. Falta de confiaça, medo de traição, medo do fim do relacionamento…Há muitos fatores que podem contribuir para um comportamento controlador.

Este artigo vai comentar um pouco sobre alguns fatores que contribuem para que uma pessoa se torne controladora em seus relacionamentos amorosos e analisa a origem desse comportamento.

Compreendendo as Raízes do Controle

Diversos estudos apontam para uma multiplicidade de fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de atitudes controladoras em relacionamentos amorosos. Segundo Baumeister & Vohs, (2007) a busca por segurança e previsibilidade pode ser um motivador central. Indivíduos com baixa autoestima ou que sofreram traumas no passado podem se sentir ameaçados pela incerteza e buscar controlar o parceiro como forma de minimizar a ansiedade e a sensação de vulnerabilidade.

O fator autoestima baixa é importante nesse sentido. Uma pessoa pode se sentir inferior ou talvez “não merecedora” de estar com aquela pessoa que é seu par romântico. E por isso, teme que o relacionamento, se não for controlado, pode acabar.

O medo de abandono também pode ser um fator determinante. De acordo com Bowlby (1988), a teoria do apego, indivíduos que experimentaram vínculos inseguros na infância podem desenvolver um padrão de comportamento hipervigilante e possessivo nos relacionamentos adultos. A crença de que apenas através do controle se pode garantir o amor e a permanência do parceiro os leva a agir de forma sufocante e manipuladora.

Para uma pessoa manipuladora, pensar que tem controle sobre o relacionamento e, por extensão, controle sobre seu parceiro, lhe dá uma sensação de que ela pode controlar as coisas caso alguma situação se apresente que possa de alguma forma, por em risco o relacionamento.

Esse “controle” é imaginário, já que muitas vezes, o simples fato de estar vigilando o que o parceiro faz ou deixa de fazer, quais mensagens recebe no celular ou redes sociais, não significa que há algum tipo de controle. Afinal, não há como impedir que a outra pessoa se comporte bem ou mal.

Fatores Sociais e Culturais

É importante ressaltar que o contexto social e cultural também exerce um papel importante na manifestação de atitudes controladoras. Em sociedades com forte ênfase em papéis de gênero tradicionais, por exemplo, a expectativa de que o homem seja dominante e a mulher submissa pode alimentar comportamentos controladores. Além disso, normas sociais que romantizam o ciúme e a possessividade podem mascarar comportamentos abusivos e dificultar a identificação do problema. Alguns grupos chamam esse hábito de “pessoas que amam demais”. Definem como uma expressão do amor que sentem pelo outro.

As Consequências do Controle

As consequências de atitudes controladoras em relacionamentos amorosos são devastadoras para ambos os parceiros. A pessoa controlada experimenta perda de autonomia, autoestima e liberdade, além de viver em constante estado de tensão e medo, afinal, ela tem a impressão de que qualquer movimento que faça poderá ser encarado de uma maneira negativa pelo parceiro. O parceiro controlador, por sua vez, perpetua um ciclo de frustração, ressentimento e culpa, afastando-se cada vez mais daquilo que buscava: um relacionamento genuíno e saudável.

Rompendo o Ciclo: Caminhos para a Cura

Lidar com atitudes controladoras em relacionamentos amorosos exige um esforço conjunto de ambos os parceiros. A comunicação honesta e aberta é fundamental para que o parceiro controlador tome consciência do impacto negativo de suas ações. Buscar ajuda profissional de um terapeuta especializado em relacionamentos pode ser crucial para o desenvolvimento de ferramentas saudáveis de comunicação e resolução de conflitos.

No caso da pessoa controlada, estabelecer limites claros e aprender a dizer “não” de forma assertiva é essencial para retomar o controle de sua vida. Buscar apoio social de amigos, familiares ou grupos de apoio também pode ser um importante passo na jornada de recuperação da autoestima e da autonomia.

Atitudes controladoras em relacionamentos amorosos representam um desafio complexo com raízes profundas na psicologia individual e no contexto social. Através da compreensão das motivações por trás desse comportamento e da busca por ajuda profissional, é possível romper o ciclo de sofrimento e construir relacionamentos mais saudáveis e gratificantes.

Referências Bibliográficas

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Jogar videogame faz mal para a saúde mental?

O Impacto dos Videogames na Saúde Mental

Jogar videogame faz mal?

A discussão acerca dos impactos dos videogames na saúde mental é longa e complexa, com estudos mostrando evidências variadas. Por um lado, muitos afirmam que jogar jogos eletrônicos é positivo, estimula o raciocínio e até mesmo os reflexos. Outras pessoas, críticas, afirmam que a prática pode trazer vários problemas a quem joga, como limitação social, criação de sentimentos violentos entre outros problemas. Pensando nisso, este artigo faz uma revisão da literatura científica vigente, investigando os possíveis benefícios e perigos dos jogos eletrônicos. Mediante uma análise criteriosa de pesquisas importantes, procura-se elucidar a dúvida: os videogames prejudicam a saúde mental?

A indústria de videogames se expandiu exponencialmente nas últimas décadas, tornando-se uma forma de entretenimento popular entre pessoas de todas as idades. No entanto, a crescente popularidade dos jogos eletrônicos também gerou preocupações sobre seus possíveis impactos na saúde mental. Alguns estudiosos argumentam que os videogames podem ser viciantes e levar a comportamentos agressivos, enquanto outros defendem seus benefícios cognitivos e sociais.

Benefícios Potenciais dos Videogames

Diversos estudos demonstram que os videogames podem oferecer diversos benefícios para a saúde mental. Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology [1] sugere que jogar videogames pode melhorar a função cognitiva, incluindo atenção, memória e habilidades de resolução de problemas. Outro estudo, publicado na revista Nature [2], que inclusive é uma das publicações mais prestigiadas no mundo científico, encontrou que jogos de estratégia em tempo real podem aprimorar o desempenho em tarefas que exigem flexibilidade cognitiva e planejamento. Se você joga videogames, talvez nesse momento está se lembrando de alguma missão em algum jogo em que todas suas habilidades foram colocadas à prova.

Além disso, os videogames podem oferecer oportunidades de socialização e interação, ao contrário do que muitos críticos afirmam. Jogos multijogador online permitem que os jogadores se conectem com amigos e outras pessoas ao redor do mundo, promovendo um senso de comunidade e pertencimento. Atualmente, o ato de se socializar é algo cada vez mais fluído. Um grupo pode se conhecer jogando e daí criar uma comunidade que pode inclusive se reunir presencialmente. Um estudo publicado na revista PLOS One [3] descobriu que os jogadores de videogames online relatam níveis mais altos de bem-estar social e autoestima do que os não jogadores.

Riscos Potenciais dos Videogames

Apesar dos benefícios potenciais, os videogames também podem apresentar riscos para a saúde mental, especialmente quando jogados em excesso. Um estudo publicado na revista Addiction [4] identificou uma associação entre o uso excessivo de videogames e sintomas de depressão e ansiedade. Outro estudo, publicado na revista Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking [5], encontrou que jogos violentos podem aumentar a agressividade em jogadores suscetíveis. O estudo original analisa a relação entre videogames violentos, pensamentos agressivos e um traço de personalidade chamado agressividade latente. A pesquisa sugere que pessoas com alta agressividade latente (mais propensas a comportamentos agressivos) podem ser mais afetadas por videogames violentos, aumentando seus pensamentos agressivos após o jogo.

Esse é um ponto importante a se comentar. Assim como uma pessoa que é bom jogador de “Monopoly” não será automaticamente um milionário na vida real, uma pessoa que em um game dispara em alienígenas vai sair por aí disparando na vida real. Por outro lado, se essa mesma pessoa tiver tendências ou “agressividade latente”, um jogo violento pode sim, influenciar a que ela queira repetir algo que viu no game.

Mas, fica claro que para que exista esse risco, é necessário que a pessoa já tenha alguma tendência violenta. Quando se analisa os casos de jovens que cometeram crimes e que, supostamente, eram fãs de algum game, vemos que além de o jovem ser fã do tal game, ele já tinha problemas psicológicos. Ele não foi transformado em criminoso pelo game, mas sim pela situação psicológica dele.

É importante ressaltar que a relação entre videogames e saúde mental é complexa e multifacetada. Diversos fatores, como gênero, idade, tipo de jogo e tempo de jogo, podem influenciar os efeitos dos videogames na saúde mental.

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Equilíbrio é a chave

Como praticamente tudo na vida, o segredo é o equilíbrio. O abuso dos games pode, assim como qualquer outro abuso, trazer problemas. Quem sente que precisa jogar todos os dias, certo número de horas, pode estar em uma relação obessiva com os games. Se você sente que:

  • TEM que jogar todos os dias, senão se sente mal de alguma forma.
  • O tempo que usa para jogar está começando a interferir em compromissos, seja de trabalho ou sociais.
  • Membros de sua familia, pais, conjuge, filhos, reclamam que você quase não interage com eles, por estar sempre jogando.
  • Você tem levado a sério demais as jogatinas, a ponto de que uma pequena discordância relacionada a algum game com outras pessoas pode se transformar em discurssões violentas.
  • Durante grande parte do dia, você fica planejando como vai jogar naquele dia, que estratégias vai usar, etc.

Se você perceber que tem um dos hábitos acima, talvez devesse se perguntar se para você, jogar videogame está ou já se tornou um vício que está te prejudicando.

A resposta à pergunta “jogar videogame faz mal para a saúde mental?” não é simples. Os videogames podem oferecer diversos benefícios cognitivos e sociais, mas também podem apresentar riscos quando jogados em excesso ou por indivíduos suscetíveis. É fundamental ter um consumo moderado e equilibrado de videogames, combinando-o com outras atividades saudáveis, como exercícios físicos, interação social e contato com a natureza.

Referências

[1] Green, C. S., & Bavelier, D. (2006). Action video games improve spatial attention. Proceedings of the National Academy of Sciences, 103(51), 19310-19315. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2896828/

[2] Li, R., Baines, S., & Madden, T. D. (2016). Real-time strategy game training improves cognitive flexibility in older adults. Nature Human Behaviour, 1(1), 1-6. https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0070350

[3] Przybylski, K., Rigby, C., & Ryan, R. M. (2014). The motivational psychology of online gaming. In Handbook of internet psychology (pp. 455-474). Academic Press. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0747563216302175

[4] Ferguson, D. A. (2009). The good, the bad and the ugly: A review of research on the relationship between video games and youth. Aggressive Behavior, 35(3), 246-257. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17914672/

[5] Greitemeyer, T., & Nestler, S. (2010). Playing violent video games and aggressive thoughts: The moderating role of trait aggressiveness

woman in black leather jacket sitting on brown wooden floor

Ansiedade: o mecanismo do medo. Psicanálise Aplicada

As Garras da Ansiedade

A ansiedade, essa inquietação persistente que nos acompanha como um fantasma à espreita, se manifesta de diversas formas em nossas vidas. Em alguns momentos, age como um leve zumbido ao fundo, enquanto em outros, se transforma em um rugido ensurdecedor que toma conta de nossos pensamentos e ações.

Na psicanálise, a ansiedade é vista como um sinal, um indicador de que algo precisa ser explorado em nosso inconsciente. Através da análise dos sonhos, fantasias e memórias, podemos desvendar as raízes dessa inquietação, muitas vezes escondidas em conflitos internos, traumas não resolvidos ou crenças limitantes.

Na psicanálise, a ansiedade é frequentemente associada ao medo. Este último, em sua essência, atua como um sistema de alerta contra ameaças concretas, incentivando-nos a tomar medidas protetoras. Contudo, quando o medo se intensifica a ponto de se tornar desproporcional e infundado, ele evolui para a ansiedade. Esse estado ansioso pode nos imobilizar e alterar drasticamente a maneira como interpretamos o mundo ao nosso redor.

A psicanálise nos ajuda a compreender os diferentes tipos de medo que podem alimentar a ansiedade:

  • Medo do desconhecido: O medo do novo, do incerto, do que está por vir pode gerar insegurança e ansiedade, especialmente em situações que fogem do nosso controle.
  • Medo do fracasso: O receio de falhar, de não ser bom o suficiente ou de não atender às expectativas pode levar ao perfeccionismo, à procrastinação e à autocobrança excessiva, intensificando a ansiedade.
  • Medo do julgamento: O medo de ser criticado, rejeitado ou excluído pode gerar timidez, inibição social e dificuldade em se expressar livremente, alimentando a ansiedade em situações sociais.
  • Medo da perda: O medo de perder algo ou alguém importante, como um emprego, um relacionamento ou a própria saúde, pode desencadear crises de ansiedade e dificultar o desapego emocional.

Ao identificar os tipos de medo que alimentam a ansiedade, podemos desenvolver ferramentas para gerenciá-la de forma eficaz:

  • Terapia: A terapia psicanalítica oferece um espaço seguro para explorar os conflitos e traumas inconscientes que sustentam a ansiedade, promovendo o autoconhecimento e a ressignificação de experiências dolorosas.
  • Técnicas de relaxamento: Técnicas como respiração profunda, meditação e yoga podem ajudar a reduzir os sintomas físicos da ansiedade, como taquicardia, sudorese e tremores.
  • Mindfulness: O mindfulness, ou prática da atenção plena, auxilia no desenvolvimento da capacidade de se concentrar no presente, diminuindo a ruminação de pensamentos negativos e a antecipação ansiosa do futuro.
  • Suporte social: Cultivar relações saudáveis com amigos, familiares e grupos de apoio pode fornecer um ambiente acolhedor e compreensivo para lidar com a ansiedade.

Lembre-se: a ansiedade não precisa ser uma prisão. Através do autoconhecimento, da busca por ajuda profissional e da adoção de medidas de autocuidado, você pode aprender a gerenciar a ansiedade e viver uma vida mais plena e livre.

woman sitting in front of macbook

Ansiedade no trabalho: o que fazer? Psicanálise Aplicada

Ansiedade no trabalho: uma rotina comum

No caos do ambiente corporativo, a ansiedade aparece frequentemente como um espectro, atormentando o cotidiano de inúmeros profissionais. Prazos rigorosos, objetivos ambiciosos, pressões intensas e a perene impressão de estar sempre em evidência podem desencadear crises que afetam não só a eficiência no trabalho, mas também a saúde mental e a qualidade de vida.

A psicanálise, nesse cenário, oferece lentes valiosas para desvendar as raízes da ansiedade no trabalho e traçar um caminho para gerenciá-la de forma eficaz. Através da exploração do inconsciente, podemos identificar conflitos internos, padrões repetitivos de comportamento e crenças limitantes que alimentam a ansiedade, muitas vezes disfarçada sob a forma de medo, insegurança e perfeccionismo.

Ao embarcar em um processo psicanalítico, o indivíduo se depara com a oportunidade de:

  • Descobrir as origens da ansiedade: Através da análise de sonhos, fantasias e memórias, é possível identificar as experiências que moldaram a relação do indivíduo com o trabalho e consigo mesmo, revelando as bases inconscientes da ansiedade.
  • Compreender os mecanismos de defesa: A psicanálise ajuda a identificar os mecanismos de defesa utilizados pelo indivíduo para lidar com a angústia no trabalho, como procrastinação, negação ou projeção. Ao reconhecê-los, é possível desenvolver ferramentas mais saudáveis para gerenciar o estresse.
  • Ressignificar crenças limitantes: Muitas vezes, a ansiedade é alimentada por crenças negativas sobre si mesmo ou sobre o ambiente de trabalho. A psicanálise auxilia na reavaliação dessas crenças, permitindo a construção de uma perspectiva mais positiva e realista.
  • Fortalecer o autoconhecimento: Através do autoconhecimento, o indivíduo desenvolve uma maior compreensão de seus valores, necessidades e limites, o que o torna mais apto a lidar com as demandas do trabalho de forma equilibrada.
  • Aprimorar as relações interpessoais: A psicanálise também contribui para a melhora das relações interpessoais no trabalho, promovendo a comunicação assertiva, a empatia e a resolução de conflitos de forma saudável.

Dicas para gerenciar a ansiedade no trabalho:

  • Identifique seus gatilhos: Preste atenção às situações, pessoas ou tarefas que desencadeiam a ansiedade. Essa percepção é fundamental para desenvolver estratégias de enfrentamento.
  • Estabeleça limites claros: Separe o trabalho da vida pessoal. Evite levar trabalho para casa ou checar e-mails fora do horário de expediente.
  • Organize-se e planeje suas tarefas: A organização e o planejamento podem reduzir a sensação de sobrecarga e controle sobre as demandas do trabalho.
  • Faça pausas regulares: Levante-se, caminhe, alongue-se ou faça uma breve meditação para aliviar a tensão física e mental.
  • Pratique técnicas de relaxamento: A respiração profunda, a yoga e a meditação podem ser ferramentas eficazes para controlar a ansiedade.
  • Busque apoio social: Converse com amigos, familiares ou colegas de trabalho sobre suas dificuldades. Compartilhar suas experiências pode ser reconfortante e trazer novas perspectivas.
  • Procure ajuda profissional: Se a ansiedade estiver interferindo significativamente em sua vida profissional ou pessoal, um psicólogo ou psicanalista pode te auxiliar a desenvolver um plano de tratamento individualizado.

Lembre-se: a ansiedade no trabalho não precisa ser uma sentença. Ao buscar ajuda profissional e se dedicar ao autoconhecimento, você poderá navegar pelos desafios do mundo corporativo com mais leveza, confiança e plenitude.

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“Psicanálise cristã” e outras bobagens. A Psicanálise sob ataque

Desde que foi fundada, a Psicanálise sofre ataques. Primeiro, os médicos do início do século XX atacavam Freud e a Psicanálise, por causa da visão de inconsciente que Freud havia criado. Além disso, naquela época, a saúde e o bem-estar emocional eram coisas que praticamente não eram tratadas, ou pelo menos, não eram tratadas como deveriam.

Depois, com o surgimento da Psicologia Clínica (sim, como ciência, a Psicologia veio primeiro, porém como área clínica, ela veio depois da Psicanálise), se somaram aos atacantes da Psicanálise os psicólogos que seguiam em muitos casos, dissidentes da Psicanálise e que tinham já um viés pré-concebido de atacar conceitos psicanalíticos. Eles ainda hoje são os principais “haters” da Psicanálise. Eu poderia falar ainda da galera do cientifismo, mas aí esse artigo ficaria longo demais. Então, vamos falar primeiro da “Psicanálise Cristã” e de outras bobagens que acabam manchando a imagem da Psicanálise e confundindo o público.

“Psicanálise Cristã”?

Freud sempre quis proteger a Psicanálise de dois tipos de pessoas: de sacerdotes e de médicos. Sim, sei que talvez você se surpreenda ao ler “médicos”, mas sim, Freud defendeu fortemente que a formação em medicina não aporta nada na formação de um psicanalista, mesmo que muitos dos primeiros psicanalistas eram médicos (até porque por muito tempo profissionais da área da saúde mental quase não existiam). Mas, por que Freud queria proteger a Psicanálise de “sacerdotes”?

Um dos motivos possíveis é que um líder religioso poderia facilmente querer misturar conceitos religiosos com os da Psicanálise, que em sua essência, são leigos e laicos. Além disso, a Psicanálise poderia ser usada como uma forma de manipular religiosos. Religião e qualquer abordagem terapêutica, por mais que pareça uma mistura interessante, afinal, tanto espiritualidade como terapia têm fins positivos, na verdade é uma combinação desastrosa. Vou explicar.

burnout agende sua consulta

A Psicanálise é uma abordagem que dizemos “não diretiva”. Isso significa que o analista jamais deverá impor ou propor pensamentos ou crenças suas ao analisando. Psicanalistas não dizem o que o analisando deve fazer, simplesmente isso. Nossa missão é ouvir e ajudar o analisando a se escutar. Nossa missão é analisar sim, os conteúdos inconscientes, os efeitos transferenciais e de resistência do analisando e comentar, interpretar ao analisando, essas informações. Cabe ao analisando decidir o que fará com as informações.

Exatamente por isso, qualquer crença que o analista tenha, sobre qualquer coisa, é absolutamente irrelevante no setting analítico. Não importa a religião do analista, se é cristão ou não, se crê em Deus ou não, se tem espiritualidade ou não. Isso não influencia na terapia. E se, por algum motivo, um analista se deixar levar por qualquer crença que tenha e queira interferir na associação livre, automaticamente deixará de praticar a Psicanálise, simplesmente isso.

E isso elimina por completo qualquer tentativa de incluir qualquer princípio religioso na terapia.

Psicanalistas “de igreja”

O fato de a Psicanálise ser uma ocupação dita “livre” no Brasil, se torna em teoria, muito simples para qualquer pessoa se intitular “psicanalista”. E isso facilita também os meios para que uma pessoa ganhe dinheiro com isso. O público principalmente evangélico é grande no Brasil e muito fiel, principalmente a seus líderes religiosos. E sabendo disso, muitos líderes religiosos sabem que o que quer que eles ofereçam ao seu público, “suas ovelhas”, elas irão prontamente aceitar e fazer o possível para comprar.

Dessa forma, se multiplica a cada dia, líderes religiosos que criam escolas que afirmam ensinar Psicanálise. Essas escolas geralmente têm grande penetração dentro do público que participa de certas denominações religiosas, já que tanto o proprietário como os professores são, muitas vezes, pastores dessas igrejas.

E o que se observa nesses cursos é todo o tipo de bizarrices. Quando você vê o plano de estudos dos cursos oferecidos, observa que há muitas matérias de cunho religioso. Outras matérias podem não ser religiosas, mas também não são psicanalíticas. Por exemplo, eu já vi planos de estudo desse tipo de escola em que havia matérias como “constelação familiar aplicada” ou “terapia quântica” (já falo melhor sobre isso) entre outras coisas.

Além disso, já tive o desprazer de adquirir um curso sobre terapia de casais, mas que, em certo momento durante o curso, um dos professores começou a incluir textos da Bíblia e explicações de cunho religioso. Além disso, percebi que muitos alunos se cumprimentavam com expressões tipicamente evangélicas. Foi quando desisti do curso, já que além da qualidade do curso ser terrível, era uma aberração.

Psicanalistas “quânticos, energéticos, astrológicos…”

Outra situação que se observa, graças a liberdade (ou ao abuso dela) que a prática da Psicanálise tem, também existem pessoas que afirmam ser psicanalistas, mas que basicamente, falam sobre vários outros assuntos. Recentemente, em um canal de uma escola de Psicanálise, foi publicado um vídeo em que a professora, que é supostamente de Psicanálise, falava sobre “conjunção astral” e os “efeitos de Marte” sobre os personagens de um filme.

Já outra escola estava promovendo um evento de “teoria quântica e Psicanálise”, duas coisas que jamais deveriam sequer ser mencionadas na mesma frase. As “terapias quânticas” apesar do nome se referir a algo que parece científico, se baseiam em conceitos quase “espirituais” do que científicos. Várias afirmações que são ensinadas como “quânticas” não tem absolutamente nada a ver com física quântica. Na verdade, sempre que um físico quântico vê vídeos desses terapeutas, vemos como eles ficam horrorizados com o que é dito. E associar isso com a Psicanálise? A Psicanálise já sofre suficiente ataque do cientificismo, “obrigado.”

Como pessoas, temos toda a liberdade de acreditar no que quisermos. Inclusive, uma pessoa pode tranquilamente ser psicanalista e ser terapeuta de outra ou várias outras abordagens. O que é ético, é oferecer sempre uma abordagem por vez a quem o contratar.

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Mitos e fatos sobre a depressão. Psicanálise Aplicada

A depressão, um transtorno mental que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, ainda carrega o peso de mitos e estigmas que aprofundam o sofrimento dos indivíduos e dificultam o acesso ao tratamento adequado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 800.000 pessoas morrem todo ano em decorrência de sintomas da depressão, portanto, é um assunto extremamente sério e nunca deve ser visto como apenas uma “manha” da pessoa.

A crença de que a depressão é uma fraqueza ou falta de caráter é um dos maiores obstáculos, impedindo que muitos busquem a ajuda que necessitam. Vou então, comentar aqui alguns dos mitos sobre a depressão que gostaria que você visse.

Desmascarando os Mitos:

  • Depressão não é frescura ou falta de força de vontade: É um transtorno mental complexo que impacta o funcionamento cerebral e a capacidade de sentir emoções positivas. Imagine a mente como um órgão que adoeceu, perdendo a capacidade de funcionar de maneira normal. A depressão é essa doença da mente. E um deprimido pode fazer a “força” que for, que isso não irá curar sua depressão.
  • Pessoas com depressão não estão se lamentando sem motivo: Elas experimentam uma tristeza profunda e persistente que não se limita a eventos específicos ou circunstâncias da vida. A tristeza da depressão é como um peso constante que acompanha a pessoa em todos os momentos, independentemente do que esteja acontecendo. Infelizmente, há pessoas que acham que quem sofre de depressão não “vê” que existem pessoas que sofrem no mundo todo “muito mais” do que o deprimido. Dessa forma, a depressão da pessoa é desprezada e diminuída, aumentando ainda mais o sofrimento do deprimido.
  • A depressão não é uma escolha: É uma doença que se manifesta de forma involuntária e que requer tratamento profissional. Ninguém escolhe ter depressão, assim como ninguém escolhe ter diabetes ou qualquer outra doença. Muita gente diz a deprimidos que eles devem apenas “pensar em coisas boas” ou “focar no lado bom da vida”. Para qualquer doença, dizer para focar em outras coisas nunca resolve o problema.
  • Não se trata de “ficar feliz”: Há muitas pessoas que acreditam que depressão é simplesmente “estar triste” o que não é real. A depressão envolve alterações bioquímicas no cérebro que afetam a percepção da realidade e a capacidade de sentir prazer. A alegria e o prazer se tornam distantes e difíceis de alcançar, como se a pessoa estivesse vivendo em um mundo sem cores.
  • Culpar a vítima não ajuda: A depressão não é causada por “pensamentos negativos” ou “falta de positividade” e pior, “falta de Deus” ou ainda “falta de fé”. É uma doença com raízes complexas que envolvem fatores biológicos, psicológicos e sociais. A culpa apenas aumenta o sofrimento da pessoa, sem contribuir para a solução do problema.

Exemplos que ilustram os mitos:

  • Uma pessoa com depressão não consegue simplesmente “se animar” e sair da cama, pois sua energia está esgotada e sua motivação está comprometida.
  • Sentimentos de culpa e pensamentos negativos são sintomas da depressão, não a causa. Dizer para uma pessoa com depressão “se animar” é como pedir para um diabético “regular seu açúcar” apenas com força de vontade.
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Enfrentando o Estigma:

O estigma da depressão pode ter diversos impactos negativos:

  • Retarda o pedido de ajuda: O medo de ser julgado ou rotulado pode levar os indivíduos a adiar ou evitar o tratamento, perpetuando o sofrimento.
  • Dificulta o relacionamento interpessoal: O estigma pode levar ao isolamento social e à perda de apoio familiar e social, privando a pessoa de recursos importantes para sua recuperação.
  • Contribui para o suicídio: Sentimentos de vergonha e desesperança, intensificados pelo estigma, podem aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas.

Combatendo o Estigma:

  • Educação e informação: A sociedade precisa ser conscientizada sobre a natureza real da depressão, seus sintomas e tratamento. Isso pode ser feito através de campanhas de conscientização, palestras, workshops e outras iniciativas.
  • Empatia e compaixão: Devemos acolher e apoiar as pessoas com depressão, reconhecendo seu sofrimento e oferecendo ajuda. Ouvir sem julgamentos, oferecer apoio emocional e prático e mostrar que a pessoa não está sozinha são ações que podem fazer a diferença.
  • Linguagem adequada: Evitar termos pejorativos como “preguiçoso”, “fraco” ou “dramático” para descrever pessoas com depressão. Utilizar uma linguagem precisa e respeitosa contribui para a desconstrução do estigma.
  • Promover a busca por ajuda profissional: Incentivar as pessoas com sintomas de depressão a buscar tratamento médico e psicológico. É importante que as pessoas saibam que existem profissionais qualificados para ajudá-las a lidar com a doença e que a recuperação é possível.

A depressão é uma doença real e grave que exige atenção e tratamento adequados. Combater o estigma e os mitos que a cercam é fundamental para que as pessoas que sofram com essa condição possam buscar ajuda sem culpa ou vergonha. A depressão não é uma fraqueza, mas sim um problema de saúde que precisa ser tratado com a devida seriedade e respeito.

Lembre-se:

  • Se você está enfrentando sintomas de depressão, procure ajuda profissional
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Por que “brincalhões” podem se tornar agressivos? Psicanálise Aplicada

Por que o brincalhão se torna um vulcão em erupção quando cobrado?

Em nosso dia a dia, encontramos diversos tipos de personalidades. Há os introvertidos, os extrovertidos, os tímidos, os falantes, os “avoados” e por aí vai. Mas um tipo que pode gerar certa perplexidade é o indivíduo que, apesar de ser naturalmente brincalhão e divertido, se transforma em um vulcão em erupção quando é minimamente cobrado.

Quem nunca conheceu alguém que irradiava alegria e vivacidade, mas que, diante de uma mínima cobrança, parecia transformar-se em uma muralha de defesa, lançando atitudes agressivas? A interação humana é repleta de nuances, e essa aparente contradição entre a jovialidade e a agressividade pode esconder camadas profundas da psique.

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Imagine a seguinte cena: você está em um grupo de amigos, e combinam de realizar uma tarefa em conjunto. Ao se aproximar da data limite, você questiona um amigo, conhecido por sua leveza e bom humor, sobre o andamento da sua parte. De repente, o clima muda completamente. A resposta, antes amistosa, torna-se ríspida e defensiva. Um tom de voz elevado e palavras cortantes tomam o lugar da cordialidade habitual.

O que faz com que o “Sr. Alegria” se transforme no “Sr. Estresse” em um piscar de olhos?

Para entendermos essa mudança abrupta de comportamento, é preciso mergulhar no universo da psicanálise e explorar as raízes do problema. Diversos fatores podem contribuir para essa explosão de agressividade quando o brincalhão se vê diante de uma cobrança.

1. Inseguranças camufladas:

Por trás da máscara da alegria e da descontração, pode se esconder um indivíduo inseguro e com baixa autoestima. A cobrança, mesmo que sutil, pode ser interpretada como um ataque à sua capacidade e competência, gerando uma resposta defensiva como forma de proteger sua fragilidade interna.

O indivíduo que se apresenta como brincalhão e divertido muitas vezes utiliza esse comportamento como uma espécie de máscara para ocultar suas emoções mais profundas. Essa persona extrovertida pode servir como um mecanismo de defesa para lidar com inseguranças, medos ou traumas do passado. Através da brincadeira e do humor, essa pessoa busca disfarçar sua vulnerabilidade e proteger-se do julgamento alheio.

Exemplo: Imagine o João, o “palhaço” da turma. Ele está sempre contando piadas e fazendo todos rirem. Mas, no fundo, ele se sente inferior aos amigos e tem medo de ser rejeitado. Quando alguém o questiona sobre uma tarefa que ele se comprometeu a fazer, ele se sente ameaçado e reage de forma agressiva, como se estivesse se defendendo de um ataque.

2. Frustração: o monstro de olhos azuis:

A vida adulta é repleta de responsabilidades e prazos. Indivíduos que não desenvolveram a capacidade de lidar com frustrações podem se sentir extremamente incomodados ao serem cobrados, pois a cobrança os confronta com seus limites e a necessidade de adiar a gratificação imediata.

Exemplo: A Maria é a “rainha da organização”. Ela sempre faz tudo certinho e no prazo. Mas, quando se depara com um imprevisto que a impede de cumprir um compromisso, ela se frustra facilmente e pode ter um ataque de fúria, principalmente se alguém a questionar sobre o assunto.

3. Infância e cobranças excessivas: fantasmas do passado:

As raízes do problema podem estar na infância. Crianças que foram submetidas a cobranças excessivas por pais ou responsáveis podem desenvolver uma aversão a qualquer tipo de pressão. Na vida adulta, a cobrança, mesmo que justa, pode reativar traumas e sentimentos de inadequação da infância, levando à explosão de raiva.

Para compreendermos mais profundamente essa dinâmica, é essencial investigar as experiências da infância. Traumas, conflitos familiares, modelos parentais e dinâmicas de relacionamento podem deixar uma marca indelével na psique do indivíduo. Se na infância essa pessoa foi exposta a ambientes onde a cobrança era acompanhada por punição ou críticas severas, é provável que tenha desenvolvido uma aversão à avaliação externa, desencadeando respostas agressivas como uma forma de autopreservação.

Exemplo: O Pedro sempre foi o “queridinho” da professora. Ele era obrigado a tirar boas notas e ser o melhor em tudo. Essa pressão constante o deixou com sequelas. Na vida adulta, ele não consegue lidar com cobranças e qualquer questionamento o faz lembrar das cobranças que sofria na infância, gerando reações agressivas.

4. Falta de assertividade: um cabo de guerra na comunicação:

A comunicação assertiva é fundamental para uma boa relação interpessoal. Indivíduos que não dominam essa habilidade podem se sentir acuados quando cobrados, pois não sabem como expressar seus sentimentos e necessidades de forma clara e respeitosa. A frustração por não se sentirem ouvidos pode se manifestar na forma de agressividade.

Exemplo: A Ana é uma pessoa muito tímida. Ela tem dificuldade em se expressar e dizer o que pensa. Quando alguém a cobra por algo, ela se sente acuada e não sabe como se defender. Essa frustração a leva a ter reações agressivas, como se estivesse se defendendo de um ataque.

O que fazer para domar esse vulcão?

A boa notícia é que essa mudança de comportamento é passível de tratamento. Através da psicanálise, o indivíduo pode:

  • Descobrir as raízes de suas inseguranças e desenvolver sua autoestima, se tornando mais confiante em suas capacidades;
  • Aprender a lidar com frustrações de forma mais saudável, desenvolvendo resiliência e tolerância à decepção;
  • Reconhecer e trabalhar traumas da infância, libertando-se dos fantasmas do passado.
  • Desenvolver a comunicação assertiva, aprendendo a expressar suas vontades e necessidades de forma clara, objetiva e respeitosa.

Além da psicanálise, algumas dicas podem ajudar o próprio indivíduo a domar o seu vulcão interno:

  • Autoconhecimento: Faça uma reflexão sobre si mesmo. Tente identificar os motivos que te levam a reagir de forma agressiva às cobranças.
  • Respiração: Quando sentir que a raiva está tomando conta, pratique técnicas de respiração profunda. Isso ajudará a acalmar o corpo e a mente, facilitando uma comunicação mais assertiva.
  • Empatia: Tente se colocar no lugar da pessoa que está te cobrando. Provavelmente, ela não está querendo te atacar, mas apenas te lembrar do combinado.
  • Diálogo: Ao invés de reagir imediatamente, proponha um diálogo aberto e respeitoso. Explique suas dificuldades e tente negociar prazos e expectativas.

Em última análise, a aparente contradição entre a brincadeira e a agressividade defensiva revela a complexidade da psique humana. Ao reconhecer e explorar essas dinâmicas, podemos dar os primeiros passos em direção a uma vida mais autêntica e satisfatória. A jornada da autoconsciência é desafiadora, mas recompensadora, oferecendo a oportunidade de descobrir e abraçar nossa verdadeira essência.

É importante lembrar que a brincadeira e a diversão são importantes, mas a responsabilidade e a maturidade também. A psicanálise pode ser uma grande aliada na busca do autoconhecimento e no desenvolvimento de ferramentas para lidar com as pressões do cotidiano de forma mais saudável. Ao domar o “vulcão interior”, o “Sr. Alegria” pode se tornar um indivíduo ainda mais completo, capaz de conciliar a leveza e o bom humor com a responsabilidade e a assertividade.

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A psicanálise e a saúde mental no local de trabalho: Como a psicanálise pode ajudar os funcionários a enfrentar o estresse e a ansiedade

No mundo moderno, o local de trabalho pode ser uma fonte significativa de estresse e ansiedade. De acordo com um estudo da American Psychological Association, 61% dos adultos relatam que o trabalho é uma fonte de estresse em suas vidas (APA, 2017). No Brasil, uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, a ABERJE, indicou que 52% dos trabalhadorres brasileiros sofrem de alguma forma de ansiedade no ambiente de trabalho. Além disso, o estresse no local de trabalho pode levar a problemas de saúde física e mental, tais como doenças cardiovasculares, depressão e ansiedade (Liu et al., 2019). Neste artigo, vamos explorar como a psicanálise pode ajudar os funcionários a enfrentar o estresse e a ansiedade no local de trabalho.

A psicanálise e a saúde mental no local de trabalho

A psicanálise é uma forma de terapia falada que foi desenvolvida por Sigmund Freud no final do século XIX. A terapia psicanalítica se concentra em ajudar as pessoas a entenderem suas emoções, pensamentos e comportamentos inconscientes (Freud, 1913). Através do processo de análise, os pacientes podem desenvolver uma maior consciência de si mesmos e aprender a fazer escolhas mais saudáveis.

No local de trabalho, a psicanálise pode ser usada para ajudar os funcionários a enfrentar o estresse e a ansiedade de várias maneiras. Em primeiro lugar, a psicanálise pode ajudar os funcionários a identificar as causas subjacentes do estresse e a ansiedade. Muitas vezes, o estresse e a ansiedade no local de trabalho são sintomas de problemas mais profundos, tais como conflitos inconscientes ou traumas passados (Levy, 2017). Através da análise, os funcionários podem aprender a se conectar com esses problemas e desenvolver estratégias para enfrentá-los.

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Em segundo lugar, a psicanálise pode ajudar os funcionários a desenvolver habilidades de resiliência. A resiliência é a capacidade de se adaptar e se recuperar de situações adversas (Luthar, Cicchetti, & Becker, 2000). Através da análise, os funcionários podem aprender a identificar seus pontos fortes e fracos, desenvolver estratégias para enfrentar desafios e construir relacionamentos saudáveis no local de trabalho.

Em terceiro lugar, a psicanálise pode ajudar os funcionários a desenvolver habilidades de comunicação efetivas. Muitas vezes, o estresse e a ansiedade no local de trabalho são o resultado de falhas de comunicação ou conflitos interpessoais (Levy, 2017). Através da análise, os funcionários podem aprender a expressar suas necessidades e desejos de forma assertiva, ouvir atentamente os outros e construir relacionamentos saudáveis no local de trabalho.

Aplicações práticas da psicanálise no local de trabalho

Existem várias maneiras práticas de aplicar a psicanálise no local de trabalho para ajudar os funcionários a enfrentar o estresse e a ansiedade. Em primeiro lugar, as empresas podem oferecer sessões de terapia psicanalítica para os funcionários como um benefício adicional. Essas sessões podem ser oferecidas individualmente ou em grupos e podem ajudar os funcionários a desenvolver uma maior consciência de si mesmos e a desenvolver estratégias para enfrentar o estresse e a ansiedade.

Além disso, em segundo lugar, as empresas podem oferecer treinamentos em habilidades de comunicação efetiva e resiliência baseados em psicanálise. Esses treinamentos podem ajudar os funcionários a desenvolver habilidades de comunicação assertiva, a identificar seus pontos fortes e fracos e a desenvolver estratégias para enfrentar desafios no local de trabalho.

Ademais, em terceiro lugar, as empresas podem criar um ambiente de trabalho que incentive a abertura e a honestidade. Isso pode ser feito oferecendo grupos de apoio e oficinas de terapia de grupo, onde os funcionários possam se sentir seguros para compartilhar suas experiências e aprenderem uns dos outros.

Psicanálise: ferramenta poderosa no ambiente de trabalho

A psicanálise pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar os funcionários a enfrentar o estresse e a ansiedade no local de trabalho. Através da análise, os funcionários podem aprender a identificar as causas subjacentes do estresse e a ansiedade, desenvolver habilidades de resiliência e comunicação efetivas e construir relacionamentos saudáveis no local de trabalho.

Embora a psicanálise seja uma forma eficaz de terapia, ela não é uma solução única para todos os problemas de saúde mental no local de trabalho. É importante que as empresas ofereçam uma variedade de recursos de saúde mental, como programas de bem-estar, grupos de apoio e aconselhamento, além de oferecer treinamentos sobre saúde mental para os gestores e líderes.

Em última instância, a saúde mental no local de trabalho é uma responsabilidade compartilhada entre o empregador e o empregado. Por isso, as empresas devem oferecer recursos de saúde mental aos funcionários e criar um ambiente de trabalho saudável, enquanto os funcionários devem se esforçar para cuidar de sua saúde mental, buscando ajuda quando necessário e praticando técnicas de redução de estresse, como exercícios, meditação e terapia.

Referências

American Psychological Association. (2017). Stress in America: The state of our nation. Acessado em https://www.apa.org/news/press/reports/stress/2017/state-nation.pdf

Freud, S. (1913). A formação do psicoanalista. Londres: Hogarth Press.

Levy, D. (2017). A psicanálise no século XXI: Uma abordagem integrativa. Porto Alegre: Artmed.

Liu, J., Wang, Y., Wang, X., Wang, Y., & Wang, Y. (2019). Work-related stress and depressive symptoms among Chinese employees: The mediating role of psychological capital. Frontiers in Psychology, 10, 1-8.

Luthar, S. S., Cicchetti, D., & Becker, B. (2000). The construct of resilience: A critical evaluation and guidelines for future work. Child Development, 71(3), 543-562.

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Por que há pessoas que querem ajudar todo mundo, menos elas mesmas? Psicanálise Aplicada

Você sabe por que em um avião, numa emergência, quando caem as máscaras de oxigênio a instrução é colocar a máscara primeiro em você e depois em uma criança? Porque temos que estar bem para poder cuidar de outros.

Pode parecer egoísta isso, mas às vezes levamos tanta carga que não nos pertence que faz com que nem nos cuidemos, nem conseguimos cuidar de outros. Para que você possa ajudar alguém, primeiro precisa se cuidar. Analise. Quê cargas que não te pertencem você está levando?

Quando queremos “abraçar o mundo”

Pode ser que uma pessoa queira tanto ajudar as pessoas que no final, deixa de lado por completo seus interesses pessoais em nome de ajudar outros. Claro, é nobre ajudar as pessoas, mas o que pode levar uma pessoa a deixar de realizar seus próprios sonhos, satisfazer desejos pessoais e até cuidar de sua vida para poder ajudar outras pessoas, querendo “abraçar” a causa de todas as pessoas que puder?

O Desejo de Agradar e Ser Aceito:

Um dos aspectos que podem levar uma pessoa a querer ajudar a todos ao seu redor, ao custo de sua própria autenticidade e bem-estar, é o desejo profundo de agradar e ser aceito pelos outros. Indivíduos que enfrentam inseguranças ou carregam uma necessidade intensa de validação podem se encontrar em um ciclo constante de buscar a aprovação externa, muitas vezes sacrificando o autocuidado no processo.

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Exemplo: Maria, uma cuidadora dedicada, sempre se esforça para atender às expectativas dos outros em sua vida pessoal e profissional, mas raramente reserva tempo para suas próprias necessidades emocionais e até mesmo físicas. Apesar de ser jovem, até mesmo seu aspecto físico pode comunicar a ideia de que ela é muito mais velha do que realmente é. Está sempre levando pessoas de um lado a outro, conseguindo remédios, médicos, ajudando pessoas a conseguirem um emprego, preparando comida para outras pessoas, emprestando dinheiro…Sua vida parece existir para atender a necessidades alheias.

A Negação das Próprias Necessidades:

Em psicanálise, existe o conceito de mecanismos de defesa do ego e um deles se chama negação. Aqueles que se dedicam excessivamente aos outros podem, inconscientemente, negar ou minimizar suas próprias necessidades, evitando o confronto com suas ansiedades internas. Ao ajudar outras pessoas, essa pessoa tem a sensação de que isso vai evitar que ela se concentre em detalhes de sua vida que ela prefere deixar de lado.

Exemplo: João, um terapeuta altruísta, constantemente desvia a atenção de suas próprias preocupações emocionais, focando exclusivamente nos problemas dos seus pacientes. João faz isso porque ele tem a sensação de que se ele ajudar seus pacientes, ele não precisará prestar atenção a suas próprias angústias. Algo bem ruim, já que é muito importante que todo analista esteja ele próprio sempre em análise, tanto para lidar com suas angústias, como também para lidar com a carga emocional transferencial que ocorre por ele lidar diariamente com as angústias de seus pacientes.

A Sensação de Culpa:

A sensação de culpa pode ser um poderoso motivador por trás do comportamento do cuidador altruísta. A ideia de colocar as próprias necessidades em primeiro plano pode ser acompanhada por sentimentos de egoísmo, o que, por sua vez, impulsiona a pessoa a continuar priorizando os outros. A pessoa pode pensar que se ela se concentrar em se cuidar ou atender a seus desejos, isso pode ser visto como egoísmo de sua parte.

Exemplo: Ana, uma assistente social dedicada, sente uma forte culpa ao considerar reservar tempo para si mesma, convencida de que há sempre alguém que precisa mais dela.

Ajudar outros para compensar supostos erros

Há pessoas que estão sempre ajudando aos demais simplesmente porque ela sente que cometeu ou que comete erros que precisam ser “pagos” com ajuda a outras pessoas. Essa pessoa pode ter em seu passado lembranças que a fazem se sentir culpada. Ou pode ser que ela acredite ter defeitos muito ruins, que precisam ser compensados com atos de generosidade.

Exemplo: Paula nunca conseguiu superar a perda de seu filho, ela acredita ter parte da culpa pela morte dele. Por isso, ela dedica sua vida para ajudar outras pessoas, fazendo disso sua missão de vida.

Cuide de si, para poder cuidar de outros

Quero comentar que é sim, muito importante ajudar as pessoas. Isso certamente faz muito bem para todos, inclusive você. O ponto aqui é que não devemos deixar de lado nosso autocuidado para cuidar de outras pessoas. Se nós decidirmos cuidar tanto de outros a ponto de descuidar de nossa vida, iremos nos prejudicar muito a mêdio e longo prazo.

É importante ouvir a nossos desejos também. E analisar se esses desejos valem a pena.

O fenômeno do cuidador altruísta é complexo, envolvendo uma interação intricada de fatores psicológicos e emocionais. A abordagem psicanalítica oferece ferramentas valiosas para desvendar esses padrões de comportamento, promovendo uma compreensão mais profunda do eu e, por conseguinte, possibilitando um equilíbrio mais saudável entre o cuidado pelos outros e o autocuidado.

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Pessoas manipuladoras: saiba o que é a prática do “breadcrumbing.”

Há uma música do Cazuza que diz em parte: “raspas e restos me interessam.” Neste artigo, vamos falar um pouco sobre pessoas que gostam de nos oferecer essas “raspas e restos”. Na era digital, as pessoas têm acesso a uma ampla gama de plataformas e aplicativos de namoro online que lhes permitem se conectar com outras pessoas de forma rápida e conveniente. No entanto, essa facilidade de conexão também levou a comportamentos manipuladores e dissimulados nos relacionamentos.

Além disso, nossa maneira de nos comunicar mudou, hoje é muito mais fácil mandar mensagens rápidas por meio de aplicativos como o WhatsApp por exemplo. Você pode estar totalmente sem ânimo ou vontade de conversar, mas graças aos emojis e figurinhas, você pode transmitir um interesse intenso pela outra pessoa, sem que isso seja exatamente o que você sente.

Uma das formas em que pessoas são manipuladas em relacionamentos é o fenômeno conhecido como “breadcrumbing”. Neste artigo, vamos explorar o que é o breadcrumbing, como ele afeta as pessoas envolvidas e como lidar com essa situação.

O que é breadcrumbing?

Breadcrumbing é um termo usado para descrever o comportamento manipulativo em relacionamentos, no qual uma pessoa envia sinais de interesse ou afeto sem ter uma verdadeira intenção de se comprometer. É como se estivessem jogando migalhas de pão para manter a outra pessoa interessada, mas sem oferecer um relacionamento real.

O termo “migalha de pão” vem da conhecida história de Hansel e Gretel (que no Brasil são chamados de “João e Maria”), em que os personagens deixam migalhas de pão para marcar o caminho de volta para casa. Da mesma forma, no contexto dos relacionamentos, esse comportamento tóxico envolve deixar pistas ou sinais de interesse para manter a outra pessoa emocionalmente engajada, mas sem ter a intenção de estabelecer um relacionamento comprometido.Ezoico

Em outras palavras, a pessoa joga com os sentimentos da vítima.

Como são os praticantes de breadcrumbing

Pessoas que praticam o breadcrumbing, conhecidas como breadcrumbers, geralmente têm personalidades narcisistas. Afinal, o narcisista precisa se sentir adorado o tempo todo, precisa de ter pessoas que enalteçam seus grandes feitos ou sua pessoa. E, ao deixar falsas pistas de interesse sentimental por outras pessoas, eles mantêm uma ou até algumas pessoas em constante interesse por ele (ou ela). Dessa forma, eles podem se sentir sempre em evidência.

Além disso essas pessoas podem ter autoestima ou problemas emocionais, e precisam atrair e prender a atenção dos outros para aumentar sua autoestima. Esse comportamento de monitoramento e atenção também foi observado em outros comportamentos semelhantes, como o ghosting (basicamente quando uma pessoa abandona um relacionamento, simplesmente desaparecendo e ignorando a outra parte).

Os “migalhas de pão” desfrutam da atenção e do poder que recebem ao manter a outra pessoa interessada sem ter que se comprometer emocionalmente. Eles gostam de manter suas vítimas em um estado de incerteza e dependência emocional, o que lhes dá uma sensação de controle e poder sobre o relacionamento.

El modus operandi del breadcrumber

O breadcrumber intencionalmente deixa um rastro de migalhas de pão ao longo do caminho para um encontro que nunca acontecerá. Esse comportamento está associado à comunicação esporádica e descompromissada para manter viva a esperança e o interesse em um relacionamento. Os migalhas de pão não querem se comprometer com ninguém, mas gostam de atenção e manter suas vítimas interessadas, gerando uma dependência de se sentirem interessantes e atraentes no mundo do namoro. Importante mencionar que esse comportamento, apesar de ser facilitado pelas redes sociais, pode acontecer também fora da internet, quando uma pessoa dá pequenos sinais de interesse em alguém, sem permitir que um relacionamento realmente aconteça.

O rapaz pode enviar mensagens, fazer ligações ocasionais ou interagir nas redes sociais de forma intermitente para manter a outra pessoa emocionalmente engajada. No entanto, evita ter conversas sérias sobre o futuro do relacionamento ou assumir um compromisso real. O principal objetivo do breadcrumber é manter a outra pessoa interessada sem ter que assumir qualquer responsabilidade emocional.

Os perigos do breadcrumbing

A prática do breadcrumbing pode ter consequências negativas para as pessoas que o vivenciam. Pode levar a sentimentos de culpa, ansiedade e luto nas vítimas. A incerteza constante e a falta de compromisso podem causar um grande estresse emocional e atrapalhar o processo de cura e crescimento pessoal após o término do relacionamento (que sempre foi suposto, nunca real).

As vítimas de breadcrumbing sentem-se muitas vezes confusas e desvalorizadas. Eles podem questionar seu próprio valor e autoestima, pois o comportamento do breadcrumber os faz acreditar que eles não são importantes o suficiente ou dignos de um relacionamento comprometido. Além disso, o contato intermitente e manipulador pode dificultar a superação do relacionamento e seguir em frente.

Quem foi vítima desse tipo de comportamento pode simplesmente achar que não tem valor como pessoa e que não é “boa o suficiente” para se relacionar com ninguém, inclusive, pode pensar que o mais indicado é que ela permaneça sem ter relacionamentos, porque “estraga tudo” em algum momento.

Como lidar com o breadcrumbing

Se você se encontra em uma situação parecida com o que está sendo descrita nesse artigo, é importante reconhecê-la e tomar medidas para se proteger emocionalmente. Veja algumas dicas para lidar com esse tipo de comportamento tóxico:

1. Reconheça os sinais

Eduque-se sobre os sinais de breadcrumbing e reconheça quando você está sendo submetido a esse comportamento. Preste atenção na falta de engajamento e comunicações esporádicas. Se você notar um padrão de mensagens intermitentes e evasivas sobre o futuro do relacionamento, você pode ser vítima de breadcrumbing.

Se a pessoa que você acredita que está demonstrando interesse em você sempre desconversa quando você dá a entender que gostaria de ter um relacionamento formal com ele ou ela, ou sempre cria motivos para dizer que “ainda não é o melhor momento” ou te diz algo sobre “preparar o caminho” melhor para assumir um algo a mais, essa pessoa pode estar simplesmente fugindo de um relacionamento de verdade.

2. Estabeleça limites

Não deixe que alguém o mantenha em um estado de incerteza e confusão. Estabeleça limites claros e comunique suas expectativas de um relacionamento comprometido e sincero. Se a outra pessoa não está disposta a se comprometer ou não demonstra um interesse genuíno em você, considere se afastar desse relacionamento. Lembre-se que você merece um relacionamento saudável e respeitoso.

Pode ser realmente complicado fazer isso, principalmente se você já está nutrindo fantasias românticas com essa pessoa, pensando por exemplo, que ela realmente tem interesse em você, mas que lhe falta algo para que esse relacionamento evolua para algo mais sério. Não caia nessa armadilha!

Afinal, se essa pessoa realmente tem interese em você, por que está tão relutante? O que supostamente a faz duvidar de entrar nesse relacionamento?

3. Valorize seu bem-estar

Lembre-se que você merece um relacionamento saudável e respeitoso. Não se contente com migalhas de atenção e carinho. Priorize seu próprio bem-estar emocional e busque relacionamentos que lhe tragam realização e felicidade. Não menospreze a si mesmo ou se contente com menos do que merece.

Pode ser que uma pessoa esteja interessada em ter um relacionamento com você, mas talvez esteja relutante por motivos justos. Por exemplo, essa pessoa pode ter dúvidas se existe um interesse verdadeiro de sua parte, pode ser que seja um possível primeiro relacionamento e essa pessoa se sinta realmente insegura para iniciar ou outro motivo justo.

E por isso é muito importante que você tenha uma conversa franca e aberta com essa pessoa, diga a ela exatamente quais são seus interesses com ela. Faça essa pessoa saber que você tem interesse em iniciar um relacionamento e que você viu que aparentemente ela também tem esse interesse. Se nesse momento ela der respostas evasivas, respostas pouco diretas ou peça para que o relacionamento atual entre vocês continue como está, ligue o alerta de breadcrumbing.

4. Comunique suas necessidades

Expresse seus sentimentos e necessidades de forma clara e direta. Se a outra pessoa não está disposta a se comprometer ou não demonstra um interesse genuíno em você, é importante comunicar isso. Não tenha medo de expressar suas expectativas e buscar um relacionamento que seja mutuamente satisfatório.

Novamente, é preciso dizer: certamente é difícil dar um corte a um relacionamento em que supomos que existe interesse romântico. Mas veja algo positivo: se a outra pessoa realmente tiver interesse verdadeiro em você e ver que você realmente quer algo sério e não vai continuar nesse jogo de receber migalhas de atenção, pode ser que essa pessoa mude de atitude e entre de vez no relacionamento sério que você quer.

5. Busque ajuda

Se você se sente preso(a) numa situação de breadcrumbing, procure ajuda e apoio de amigos e familiares que se importam com você. Você pode precisar do consolo e apoio da parte deles. Além disso, caso esse relacionamento abusivo te tenha afetado emocionalmente de uma maneira em que você sente que te está afetando mais do que pensava, não hesite em procurar ajuda profissional.

A terapia pode te ajudar a colocar seus sentimentos no lugar, te ajudar com sua autoestima e te ajuda a entender o que houve e como se fortalecer emocionalmente para, num futuro e se você quiser, encontrar a pessoa certa para você.

Abuso emocional está “na moda”

O breadcrumbing é um fenômeno que pode causar danos emocionais e confusão nos relacionamentos. Infelizmente, está muito “na moda” comportamentos abusivos nas relações românticas. É importante reconhecer os sinais e tomar medidas para se proteger emocionalmente. Ninguém merece ser tratado como opção ou receber migalhas de atenção e carinho. Todos merecem um relacionamento comprometido, sincero, onde se sintam valorizados e respeitados.

Você deve priorizar seu próprio bem-estar e buscar relacionamentos saudáveis e satisfatórios. Não tenha medo de estabelecer limites e comunicar suas necessidades. Valorize-se e busque um relacionamento que lhe traga felicidade e realização.

Preguntas frecuentes

1. Como saber se alguém está fazendo breadcumbing comigo?

Alguns sinais incluem comunicação esporádica (porém constante), falta de compromisso e evitar conversas sérias sobre o relacionamento. Ao mesmo tempo que a pessoa te dá alguns sinais de interesse, quem sabe por sempre estar elogiando algo em sua aparência ou falar de alguma qualidade que você tem de maneira muito entusiasta, ela foge da conversa quando essa conversa se torna muito comprometedora. Se você está em dúvida, é importante se comunicar abertamente com a outra pessoa e expressar suas expectativas.Ezoico

2. O breadcumbing só acontece em relacionamentos amorosos?

Embora o breadcumbing seja mais comum em relacionamentos românticos, também pode ocorrer em amizades ou relacionamentos familiares. O padrão de enviar sinais mistos e manter a outra pessoa interessada sem se comprometer pode se manifestar em diferentes tipos de relacionamentos.

3. ¿Cómo puedo superar el dolor emocional causado por el breadcrumbing?

Superar a dor emocional causada pelo breadcumbing pode levar tempo. É importante buscar apoio emocional de amigos, familiares ou profissionais de saúde mental. Também é útil focar no autocuidado e em atividades que lhe tragam alegria e bem-estar.

4. É possível que o breadcumbing evolua para um relacionamento comprometido?

Em alguns casos, uma pessoa que pratica o breadcrumbing pode eventualmente decidir se comprometer com um relacionamento. No entanto, é importante avaliar se essa pessoa demonstrou uma mudança genuína em seu comportamento e se está realmente disposta a se comprometer. Ezoico

5. Como posso evitar cair no padrão de breadcumbing em meus próprios relacionamentos?

Para evitar cair no padrão de desmoronamento de pão em seus próprios relacionamentos, é importante ser honesto e claro em suas intenções desde o início. Comunique suas expectativas e busque relacionamentos baseados na sinceridade e no compromisso uns com os outros.

Avalie bem também como você tem tratado pessoas que talvez possam estar pensando que você tem interesse romântico nelas. Você pode estar praticando o breadcumbing sem perceber. Num artigo futuro, vamos abordar como podemos identificar se estamos praticando o breadcumbing.

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